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Programação serena

Meu pai, que considero um exemplo de pessoa honesta, humilde e de bom caráter, me ensinou que na vida precisamos agir com serenidade. Ele me apresentou a oração da serenidade:

Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.

Agora, o que isso tem a ver com desenvolvimento de software?

Imagine um cenário que você precise incluir uma nova funcionalidade em uma aplicação existente. Suponha que o código dessa aplicação não está muito bom, há acoplamentos entre os objetos, pouca cobertura de testes e a arquitetura deixa a desejar. Você precisa incluir a nova funcionalidade, mas não pode aumentar o débito técnico.

Por outro lado, você não irá refazer toda a aplicação de uma forma melhor, pois além de você não ter tempo (e dinheiro) disponível para isso, o sistema hoje atende os requisitos atuais e executa sem problemas.

Nessa situação, você precisa de sabedoria para distinguir o que pode ser modificado neste momento no código existente para melhorá-lo e o que você não irá modificar agora, já que não afeta diretamente a nova funcionalidade.

Você necessita de coragem para modificar o código legado, pagar o débito técnico, criar testes automatizados, refatorar, tornar o código mais claro, reformular o design, diminuir acoplamentos.

Você terá serenidade para aceitar que nem tudo pode ser melhorado agora, pois você tem prazo e orçamento a serem cumpridos. O objetivo neste momento é implementar a nova funcionalidade.

Com serenidade você pode alcançar uma melhoria contínua no seu software.
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Obs.: Após rascunhar o conteúdo deste post dei uma olhada no meu leitor de feeds e me deparei com o post Parar e Refatorar? da InfoQ Brasil. A discussão sobre o tema é longa, mas a serenidade também se aplica.


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